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segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Os Cadernos de Dom Rigoberto

Título original: Los cuadernos de don Rigoberto
Género: Romance
Autor: Mario Vargas Llosa
Ano: 1997

Sinopse: Mario Vargas Llosa ao criar em Os Cadernos de Dom Rigoberto um mundo de erotismo, sensualidade, desejo e paixão, transporta o leitor para todo um universo de sonho ousado e arrojado, criado pela imaginação fértil de um reservado corretor de seguros. Um livro que é a apologia perfeita do amor em estado puro. (in Wook)

Continuamos na pegada de Dom Rigiberto, da sua Lucrécia e do seu filho Alfonso. Depois deste ter descoberto a traição da esposa com o filho, expulsa-a de casa e ela passa a viver sozinha com a sua antiga empregada.
Alfonso começa a visitá-la, a mostrar-se a cada dia que passa mais arrependido e empenhado em fazer tudo para reunir o pai e a madrasta. Ciente das manhas do enteado, Lucrécia tem problemas em confiar em Alfonso, mas a cada visita, a madrasta vai percebendo as verdadeiras intenções e actos do pequeno Alfonso.

Percebo, minha senhora, que a variante feminista que representa declarou a guerra dos sexos e que a filosofia do seu movimento se apoia na convicção de que o clítoris é moral, física, cultural e eroticamente superior ao pénis, e os ovários, de mais nobre idiossincracia que os testículos.
(extracto retirado da pág. 64)

Actualmente a viverem em casas separadas, a conturbada história de romance, sexo e traição entre Lucrécia, Dom Rigoberto e Alfonso continua, tendo como principal espectadora a fiel e leal empregada da família.

Através das inúmeras cartas escritas por Dom Rigoberto, que não tem intenção nenhuma de enviar, o autor desenvolve a personalidade do personagem e mostra ao leitor mais sobre a sua vida e ideias, sobre assuntos relacionados com o individualismo e/ou as colectividades e associações. Durante o dia, Dom Rigoberto leva uma vida normal de homem separado e trabalhadior na área de seguros e, à noite, transcreve para os seus cadernos os mais fantasiosos contos sexuais, onde o papel principal está sempre reservado à sua eterna amada Lucrécia.

O sexo e a sensualidade feminina continuam muito presentes na figura de Lucrécia, na sua história de amor e nas fantasias sexuais com Dom Rigoberto e, porque não dizê-lo, com o pequeno enteado.
(3/5)

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Elogio da Madrasta

Título original: Elogio de la madrastra
Género: Romance
Autor: Mario Vargas Llosa
Ano: 1988

Sinopse: Lucrécia e dom Rigoberto vivem em constante felicidade. Ela, uma mulher que acaba de completar 40 anos, nada perdeu da sua elegância e sensualidade; ele, no segundo casamento, descobriu por fim os prazeres da vida conjugal. Juntos, crêem que nada pode afetar esse idílio, cheio de fantasias e de sexo. Alfonso, ou Fonchito, filho de dom Rigoberto, parece ser o único empecilho; ama demais sua mãe, Eloísa, para aceitar a chegada de uma madrasta. Mas até ele acaba por ser conquistado pelos encantos de dona Lucrécia. O amor do menino pela sua madrasta, entretanto, vai muito além do que se esperaria de uma criança, desenhando uma linha ténue entre a paixão e a inocência que mudará o destino de cada um deles.
Elogio da Madrasta é a história de um universo dominado por um triângulo inquietante, que pouco a pouco envolve os leitores na rede de subtil perversidade que une, na plena satisfação dos seus desejos, a sensual Lucrécia, Rigoberto e o filho. (in Wook)

Lucrécia é a esposa de dom Rigoberto e madrasta de Alfonso, mais conhecido por Fonchito, fruto do anterior casamento de Rigoberto com  Eloísa. Nos primeiros tempos, a relação dos três corria sobre feição. Lucrécia e Rigoberto viviam dias felizes e uma sexualidade completa e sem tabús. Alfonso nutria um enorme carinho pela madrasta e esta correspondia-lhe em igual medida. No entanto, Alfonso não é um menino tão inocente como aparenta e acaba por interferir-se da pior forma na relação do pai e da madrasta...

- Vou dizer-te uma coisa que não sabes, madrasta - exclamou Alfonso, com uma luzinha vibrante nas pupilas. - No quado da sala és tu.
Tinha a cara arrebatada e alegre e esperava, com um meio sorriso pícaro, que ela adivinhasse a intenção oculta no que acabava de insinuar.
(extracto retirado da pág. 117)

Nunca é demais dizer o quão impressionante é poder ler obras de autores capazes de pegarem em temas simples e montarem uma história com vida e capaz de cativar o leitor, mantendo-o agarrado ao livro. Nesta obra, o ponto forte são os personagens, representados por uma família pouco convencional e uma empregada, e as interações entre eles.

No quarto de Lucrécia e dom Rigoberto não existem inibições, os prazeres da carne são elevados ao expoente máximo e o acto de satisfazer e deixar-se satisfazer são as únicas regras.
Alfonso, um menino mais "crescido" que a sua idade, é um lobinho em pele de cordeiro e sabe bem como dar a volta aos outros, sempre com a sua disfarçada inocência de criança.

Através da outra paixão de dom Rigoberto e da obsessão de Alfonso pelo austríaco SchielleVargas Llosa, através das gravuras e quadros do pintor que introduzem os capítulos, faz o paralelismo entre o enredo e o erotismo de Lucrécia, em particular, e de todas as mulheres, em geral.
Amor. Paixão. Arte. Erotismo. Romance. Traição. Família. Inocência.

Há uns dias li algures que se alguém quiser ler uma obra erótica que leia Elogio da Madrasta, em vez daquela palhaçada da meia centena de sombras de Grey. Não podia estar mais de acordo.
(4/5)

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Travessuras da Menina Má

Título original: Travesuras de la niña mala
Género: Romance
Autor: Mario Vargas Llosa
Ano: 2006

Sinopse: Qual o verdadeiro rosto do amor?
Ricardo vê cumprido, muito cedo na vida, o sonho que sempre alimentara de viver em Paris. Mas o reencontro com um amor da adolescência mudará tudo. Essa jovem, inconformista, aventureira, pragmática e inquieta, arrastá-lo-á para fora do estreito mundo das suas ambições.
Criando uma admirável tensão entre o cómico e o trágico, Mario Vargas Llosa joga com a realidade e a ficção para dar vida a uma história na qual o amor se nos revela indefinível, senhor de mil caras, tal como a menina má.
Paixão e distância, sorte e destino, dor e prazer... Qual é o verdadeiro rosto do amor? (in Wook)

Durante a adolecência, Ricardo Somocurcio, um habitante de um bairro de Lima que sonha em viver e trabalhar em Paris, conhece uma jovem peruana que iria mudar para sempre a sua vida.
Já em Paris, o destino volta a colocá-lo no caminho de Lily que, embora conserve traços do seu amor de adolescência, agora responde por outro nome.
Entre os romances tórridos, as brigas sucessivas e as humilhações constantes, este casal vive anos de encontros e desencontros que acabam sempre com um Ricardo cada vez mais apaixonado e mais certo que a peruana não lhe nutria o mesmo sentimento. Seria mesmo assim?

Uma tarde, sentados no jardim, à hora do crepúsculo, disse-me que, se algum dia me lembrasse de escrever a nossa história de amor, não a fizesse ficar muito mal porque, nessa altura, o seu fantasma viria todas as noites puxar-me os pés.
(...)
Pelo menos, confessa que te dei assunto para um romance. Não foi, menino bom?
Para além de uma história de amor cheia de encontros e desencontros, esta obra tem ainda a mais valia de levar o leitor a viajar e conhecer povos e lugares tão diferentes como Paris, Madrid, Londres, Tóquio ou Perú. Descrições pormenorizadas das ruas, cafés, restaurantes, museus, etc, transportam-nos para todos os lugares por onde Ricardo passsou, passeou ou viveu momentos de paixão com a menina má.

Sedutora e manipuladora, a menina má é uma mulher que consegue tudo dos homens, em especial do Somocurcio. Capaz dos maiores truques e artimanhas, ela que já foi Otília, Lily, camarada Arlette, madame Arnoux, Mrs. Richardson ou Kuriko, não deixa ninguém indiferente.

Paralelamente ao romance da menina má e Ricardo, Vargas Llosa consegue encaixar, de forma muito hamoniosa, pequenas histórias de que são exemplos: o casal vizinho que adoptou uma criança vietnamita, o velho a quem se recorre para saber onde podem ser construídos esporões, o pintor falhado que vive os seus dias a pintar cavalos de corrida, o tradutor que colecciona soldadinhos de chumbo e se apaixona por uma japonesa, etc.

Segunda aposta no Llosa e não estou arrependida. Que venham mais obras do senhor.
(4/5)

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