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terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Em Chamas

(Contém spoilers para quem não leu o Volume I)

Título original: Catching Fire
Género: Romance
Autor: Suzanne Collins
Ano: 2009

Sinopse: Depois de no primeiro volume Katniss se oferecer para substituir a irmã mais nova nos Jogos da Fome, que têm como lema «matar ou morrer», contra todas as expectativas, não só Katniss Everdeen venceu os Jogos da Fome, como pela primeira vez na história desta competição dois tributos conseguiram sair da arena com vida. Os dois jovens Katniss e Peeta tornaram-se agora os rostos de uma rebelião que nunca esteve nos seus planos. E o Capitólio não olhará a meios para se vingar… Um ritmo constante de adrenalina numa obra que promete tornar-se uma das leituras mais viciantes do ano. (in Wook)

Contra todas as odes e regras dos Jogos da Fome, Katniss e Peeta saem da arena juntos, vivos e, para todos os efeitos, apaixonados. A encenação do envenenamento conjunto, como último acto do jogo, cai muito mal entre os patrocinadores e acaba envergonhando o Capitólio e os seus governantes. Ao sentirem-se desafiados pelos jovens vencedores, os governantes fazem de tudo para evitar uma rebelião, o que implica vigiar todos os passos de Katniss e Peeta. Que futuro está reservado para os dois sobreviventes dos 74º jogos da fome?
Olho para os meus pés e vejo que a placa de metal está rodeada de ondas azuis que me batem nas botas. Ergo os olhos lentamente e vejo a água que se estende em todas as direcções.
Só consigo formular um pensamento claro.
Isto não é lugar para uma rapariga em chamas.
Depois de ler o primeiro volume, a pergunta "e se o próximo volume for mesmo muito bom com surpresas espectaculares sobre Katniss e o Distrito 12?" ficou a martelar-me na cabeça e como o livro já estava na minha estante, resolvi arriscar. Soube-me a pouco e, honestamente, se há uma parte de mim que quer repetir o pensamento anterior, a outra questiona o que poderá a autora fazer de diferente pra voltar a captar a minha atenção e vontade de continuar a leitura.

Depois de terminado os jogos, os vencedores fazem a ronda da vitória pelos vários distritos de Panem. A cada paragem, é-nos disponibilizada mais algumas informações sobre o Distrito, as suas pessoas e como a vitória de Katniss e Peeta foi e continua a ser vivenciada. Aqui o único pecado foi a quantidade de repetições.

Fora da arena, os jovens têm de manter a farsa sobre a paixão que os une devido às possíveis represálias do Capitólio. Aproveitando este cenário, Collins resolve adicionar ao enredo um triângulo amoroso um tanto ou quanto insonso e que, na minha opinião, não resulta.

Nada podia ter-me preparado para o desfecho, ou seja, para a tão esperada vingança do Capitólio. Não me entendam mal, não fui surpreendida no bom sentido, mas sim no sentido de pensar "oh, não! Suzanne Collins, será que não conseguias sair com nada mais interessante ou pelo menos diferente?"
(3/5)

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Os Jogos da Fome

Título original: The Hunger Games
Género: Romance
Autor: Suzanne Collins
Ano: 2008

Sinopse: Num futuro pós-apocalíptico, surge das cinzas do que foi a América do Norte Panem, uma nova nação governada por um regime totalitário que a partir da megalópole, Capitol, governa os doze Distritos com mão de ferro. Todos os Distritos estão obrigados a enviar anualmente dois adolescentes para participar nos Jogos da Fome - um espectáculo sangrento de combates mortais cujo lema é «matar ou morrer». No final, apenas um destes jovens escapará com vida… Katniss Everdeen é uma adolescente de dezasseis anos que se oferece para substituir a irmã mais nova nos Jogos, um acto de extrema coragem… Conseguirá Katniss conservar a sua vida e a sua humanidade? Um enredo surpreendente e personagens inesquecíveis elevam este romance de estreia da trilogia Os Jogos da Fome às mais altas esferas da ficção científica. (in Wook)

De América do Norte a Panem. Constituída por 12 Distritos e pelo Capitol, onde se encontra o poder e os governantes, a pacífica Panem já viveu dias de guerra quando viu a sua governação ser contestada por um grupo de rebeldes. Com vista a manter a soberania intacta e mostrar a força do Capitol, todos os anos são escolhidos 1 rapaz e uma rapariga de cada Distrito, com idades superior a 12 anos, para combater nos Jogos da Fome.
Quando a irmã de apenas 12 anos é escolhida, Katniss Everdeen oferece-se como voluntária e parte, juntamente com Peeta Mellark, para representar o Distrito 12 nos 74º Jogos da Fome.
Num jogo onde só um pode vencer e ser vencido significa morrer, a palavra de ordem é sobreviver.

É a Primrose Everdeen.
Um dia, quando estava escondida numa árvore, esperando sem me mexer que passasse algum animal, adormeci e caí de uma altura de três metros, aterrando de costas no chão. Foi como se o choque me tivesse esvaziado os pulmões, e fiquei ali deitada esforçando-me por inalar, por exalar, por fazer qualquer coisa.
A premissa inicial do livro é muito boa: a acção que decorre no futuro, a vida após um evento apocaliptíco e um grupo de jovens numa arena a matarem ou morrerem, enquanto as pessoas assistem em suas casas, como se de um reality show se tratasse.

Em cada par representante nos jogos, há a personificação de um Distrito e, à medida que vão aparecendo na história ou interagindo com os personagens principais, Suzanne Collins aproveita para contar mais alguma coisa sobre o Distrito em causa. Para uma melhor compreensão dos jogos e da organização de Panem, a autora vai levantando o véu sobre algumas das outras consequências da revolta dos rebeldes.

As acções, diálogos e recordações de Katniss dão a conhecer as experiências e vivências de uma jovem que perdeu o pai numa explosão da mina, que é o sustento da família, que quebra algumas regras do Capitol para cuidar da mãe e da irmã, que tem um amigo muito especial, que é impulsiva, que diz o que pensa, que detesta injustiças, etc.
Peeta Mellark, tendo nascido no seio de uma família de padeiros, não passou pelas mesmas dificuldades que a companheira de Distrito. Fez-se um rapaz criativo, com o dom da palavra, afável e muito simpático.

A escrita é muito simples e acessível, a maioria dos personagens são interessantes, o enredo é bastante original e agradou-me imenso a perpectiva futurista da história.
(4/5)

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Daqui a Nada

Título original: Daqui a Nada
Género: Romance
Autor: Rodrigo Guedes de Carvalho
Ano: 1992

Sinopse: Romance de maturidade invulgar na apreciação de uma época, de uma geração e de uma mentalidade. (in Wook)

Solidão. Personagens que embora acompanhados, sentem-se sempre sós porque, entre outras coisas, falha a comunicação e consequentemente, o amor ou a amizade.
Marta, mãe de Rita, é casada com Pedro que é dado como morto, em Angola, durante a guerra colonial. Ao julgar o marido morto, Marta envolve-se com um amigo deste. Quando menos se espera, Pedro "ressuscita", regressa, afasta-se da mulher e filha e conhece Paula.
As marcas de guerra colonial e a traição da mulher, empurram Pedro para um poço solitário e sem fim à vista.

Não percebeste nada, continuas a não perceber nada, não é do hotel que me vou embora, não é deste quarto excessivamente luxuoso, excessivamente impessoal como tu me pareces nesta manhã, como tu finalmente pareces, vou-me embora de mim, repara, olha para mim, não acredito que não mo leias nos olhos, na transpiração aflita das mãos, não acredito que não notes, (...)
Sempre que preciso desanuviar da leitura dita mais simples, romanceada e de história corrida, pego, invariavelmente, num livro do Gabriel García Márquez ou do Rodrigo Guedes de Carvalho. A minha adoração pelo primeiro é mais que conhecida, mas Guedes de Carvalho tem vindo a crescer em mim e não há como ficar indiferente ao saber que ele escreveu este livro com apenas 20 anos de idade.

O enredo tecido pelo autor expõe as dificultades e desafios que personagens como Marta, Pedro, Rita, Paula, etc. enfrentam para tentar manter e preservar as relações que vão construindo durante a vida e que estão constantemente a passar por provações mais ou menos complicadas ou difíceis de perdoar e esquecer.

A presente obra é um livro pequeno, tendo em conta o número de páginas, e de leitura fácil principalmente para os leitores já estão familiarizados com a escrita do autor.
Para ler e pensar.
(4/5)

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Os Apanhadores de Conchas

Título original: The Shell Seekers
Género: Romance
Autor: Rosamunde Pilcher
Ano: 1987

Sinopse: Penelope Keeling, filha de artista, é uma mulher suficientemente independente e activa para aceitar passivamente a velhice.
Olha para trás e recorda a sua vida: uma infância boémia em Londres e em Cornwall, um casamento desastroso durante a guerra e o homem que ela verdadeiramente amou.
Teve três filhos e aprendeu a aceitar cada um deles com as suas alegrias e desilusões.
Quando descobre que o seu bem mais importante vale uma fortuna - Os Apanhadores de Conchas -, um quadro que o pai lhe deu de presente e pintado por ele próprio, é ela que passa a decidir e determinar se a sua família continuará a ser mesmo uma família ou se se fragmentará definitivamente. (in Wook)

Penelope Keeling, a mulher de quem se fala, deu à luz três filhos de um casamento infeliz: Olivia, Nancy e Noel. Apesar de terem sido criados pela mesma mãe e da mesma maneira, os 3 irmãos não podiam ser mais diferentes: Olivia, uma mulher trabalhadora e independente, tem a personalidade mais parecida com a mãe; Nancy, casada e com dois filhos, vive obcecada pelo dinheiro, por frequentar os melhores lugares ou ter os filhos nos melhores colégios; Noel, boémio, quer curtir a vida e ter dinheiro não atrapalharia os seus planos.
Devido ao recente interesse pelas pinturas do avô, os irmãos percebem que a mãe tem em mãos uma pintura que vale uma fortuna e podia resolver alguns dos seus problemas. Estará Penelope disposta a desfazer-se do presente do pai?

Chegou Setembro, é dela
Cuja vitalidade se reforça no Outono
Cuja natureza prefere árvores sem folhas e um lume na lareira
Concedo-lhe, portanto, este mês e o seguinte
Embora todo o meu ano devesse ser seu, pois já tornou
(...)
Rosamunde Pilcher começa por apresentar-nos a Penelope mãe, avó, viúva, que vive sozinha e trata, maravilhosamente, do seu jardim. Através dos saltos temporais, ficamos a conhecer a vida da Penelope, nos seus bons e maus momentos: os dias da guerra, a morte da mãe, os cuidados com o pai, o casamento sem amor, o nascimento dos filhos, o encontra com o amor, a saúde debilitada, etc.

Através da história de Penelope e do quadro "Os Apanhadores de Conchas", Pilcher cria um enredo estimulante, surpreendente e, um tanto ou quanto, controverso, "obrigando" a protagonista a tomar uma decisão que ela própria sabe que nunca agradará a todos e que desvendará virtudes e defeitos dos demais intervenientes.

A escrita é simples, mas envolvente e os personagens, principalmente a Penelope, deixam as suas marcas. Cada capítulo tem como protagonista um dos personagens e acompanhamos a história de Penelope sempre com a tomada da derradeira decisão no horizonte.
(4/5)

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

A Dança dos Dragões

(Contém spoilers para quem não leu os livros I, II, III, IV, V, VI, VII e VIII)

Título original: A Dance with Dragons
Género: Fantasia
Autor: George R. R. Martin
Ano: 2011

Sinopse: O Norte jaz devastado e num completo vazio de poder. A Patrulha da Noite, abalada pelas perdas sofridas para lá da Muralha e com uma grande falta de homens, está nas mãos de Jon Snow, que tenta afirmar-se no comando tomando decisões difíceis respeitantes ao autoritário Rei Stannis, aos selvagens e aos próprios homens que comanda. Para lá da Muralha, a viagem de Bran prossegue. Mas outras viagens convergem para a Baía dos Escravos, onde as cidades dos esclavagistas sangram e Daenerys Targaryen descobre que é bastante mais fácil conquistar uma cidade do que substituir de um dia para o outro todo um sistema político e económico. Conseguirá ela enfrentar as intrigas e ódios que se avolumam enquanto os seus dragões crescem para se tornarem nas criaturas temíveis que um dia conquistarão os Sete Reinos? (in Wook)

A decorrer no mesmo espaço temporal que A Feast for Crows, A Dance with Dragons chega para contar a quantas andam personagens como Jon, Davos, Daenery, Stannis, Bran, etc. Na Muralha é tempo de arrumar a casa e preparar os mecanismos de defesas contra futuros ataques e inimigos. Daenerys, cada vez mais longe dos Sete Reinos, tem de lidar não só com os inimigos que vai deixando para trás, mas também com a impaciência de alguns dos seus apoiantes que não percebem porque a rainha não deixa a Baía dos Escravos e parte à conquista do trono a que tem direito. Davos continua na demanda de agradar e fazer tudo pelo seu senhor, enquanto Bran continua na sua demanda de encontrar o corvo dos 3 olhos.
Quando disse que te tinha comprado para mim, não duvidei dele. Ele era Jaime, e tu eras só uma rapariga qualquer que tinha representado um papel. Eu temera-o desde o princípio, desde o momento em que me sorriste pela primeira vez e me deixaste tocar-te na mão. O meu próprio pai não era capaz de me amar. Como poderás tu fazê-lo, se não fosse por ouro?
Este capítulo pode ser considerado como o capítulo do reagrupamento das tropas, com as várias peças deste jogo nas suas posições ou a caminho das mesmas, quer sejam elas de ataque ou de defesa.

Apesar de gostar muito das histórias do Jon, achei um nadinha desnecessário toda a repetição da acção da partida de Sam e Gilly, embora tenha sido recontada na perspectiva do Jon.

No início da saga, Daenerys era uma das minhas personagens favoritas. No entanto, tenho vindo a desenvolver um ódio de estimação pela miúda e começo a não ter muita paciência para as coisas dela. Neste momento, os capítulos mais boring tem sido os dela e espero honestamente que mudem.
Enquanto isso, personagens como Davos ou Melissandre começam a ganhar um lugar cativo e a minha admiração ao mesmo tempo que Tyrion continua indestrutível no top das minhas preferências.

Em jeito de conclusão, este é mais um capítulo com tudo de bom que os anteriores tinham.
(4/5)

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

O Carteiro de Pablo Neruda

Título original: El cartero de Neruda
Género: Romance
Autor: Antonio Skármeta
Ano: 1985

Sinopse: Mario Jiménez, jovem pescador, decide abandonar o seu ofício para se converter em carteiro da Ilha Negra, onde a única pessoa que recebe e envia correspondência é o poeta Pablo Neruda. Mario admira Neruda e espera pacientemente que algum dia o poeta lhe dedique um livro ou aconteça mais do que uma brevíssima troca de palavras ou o gesto ritual da gorjeta. O seu desejo ver-se-á finalmente realizado e entre os dois vai estabelecer-se uma relação muito peculiar. No entanto, a conturbada atmosfera que se vive no Chile daquela época precipitará um dramático desenlace…
Através de uma história tão original como sedutora, Antonio Skármeta consegue traçar um intenso retrato da convulsa década de setenta no país andino, assim como uma recriação poética da vida de Pablo Neruda. (in Wook)

Como não gostava de ser pescador, Mario Jiménez passava os dias a inventar desculpas para não ir para o mar com o pai. Pressionado pelo pai a arranjar emprego, o rapaz torna-se o carteiro da pequena Ilha Negra, um sítio onde todas as cartas têm apenas um destinatário: o poeta Pablo Neruda.
Com as sucessivas idas do jovem carteiro à casa de Neruda, os dois homens aproximam-se e uma amizade que a princípio parecia impossível nasce entre eles. Poderá uma amizade entre um jovem carteiro e um conceituado poeta, cujas vidas são completamente diferentes, vingar?

- Não há pior droga que o blá-blá. Faz uma teberneira de aldeia sentir-se como uma princesa veneziana. E depois, quando a hora da verdade, o regresso à realidade, reparas que as palavras são cheque sem cobertura. Prefiro mil vezes que um bêbado te apalpe o cú no bar, a que te digam que um sorriso teu vale mais alto que uma mariposa!
Chile. Uma pequena ilha. Um carteiro. Um poeta. Este é o mote para este livro com pouco mais de 100 páginas.

Tendo como base a amizade peculiar entre Jiménez e Neruda, Antonio Skármeta leva-nos a conhecer uma parte do Chile, na figura da pequena Ilha Negra e das pessoas que nela habitam: o jovem carteiro e o pai pescador, o poeta que recebe as cartas, os outros pescadores da ilha, a taberneira e a sua filha, os bêbados que frequentam a taberna, os turitas que visitam a ilha, etc.
A política acaba por assumir um papel importante na vida dos habitantes da ilha, e principalmente na de Jiménez, quando um habitante da ilha é convidado a concorrer para um cargo político.

O enredo é simples e os personagens são únicos e possuem características muito próprias. Não há como passar ao lado dos diálogos da taberneira e a filha, de onde retirei o extracto acima destacado. A poesia e as metáforas, uma constante do livro, são deliciosas e levam-nos a ler, reler e depois parar para reflectir.

O livro é tão pequeno e a história tão curtinha que o fim chega com aquele gosto amargo de querer ter mais páginas para conhecermos melhor Ilha Negra e as suas pessoas.
(3/5)

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Contos de Amor

Título original:
Género: Romance
Autor: Herman Hesse
Ano:

Sinopse: Este livro é uma colectânea temática que contém as histórias de amor mais conhecidas dos contos e lendas de Hesse, a maior parte delas recordações com fundo autobiográfico da juventude do próprio autor. São aqui retratados, além das provas de força e dos rodeios, também a embriaguez dos primeiros contactos com o outro sexo e as intensas experiências no campo da tensão entre o amor ideal e o amor sensual.
O volume está organizado cronologicamente de modo a tornar reconhecível a evolução da atracção dos pares em diferentes idades. Vai da fascinação idealística da puberdade, passando pela simbiose, susceptível de crises, do casamento até às formas altruístas do abnegado amor do próximo que já não se fixa num parceiro único.
A frescura dos contos, os ambientes retratados, a clareza das situações, a profundidade e o rigor na observação psicológica e a elegância do estilo, tornam esta obra num marco vivo da literatura alemã. (in Wook)

Conjunto de histórias de amor, a maioria sem o tão típico e, muitas vezes esperado, final feliz. Do amor inocente, cheio de inseguranças e dúvidas, ao amor mais carnal, onde não faltam erotismo e envolvimento sexual, a presente obra contém vários "pedaços" da vida, dos amores e das vivências que retratam partes da vida do autor.

Agora sentia de repente um anseio vivo e cada vez com mais frequência de pronunciar o nome da rapariga elegante, de o murmurar baixinho, e de o cantar a meia voz, e tornou-se-me um verdadeiro tormento o acto de não saber o nome dela.
(1907)
Não se pode dizer que sou uma grande fã de livros que sejam compostos por pequenos contos (excepção feita aos contos do Gabriel García Márquez, que são um caso à parte). No entanto, talvez devido ao tema que une todos os contos ou porque é notório o crescimento dos envolvidos e da própria história, foi uma leitura agradável.

Mal comparado, esta obra pode ser considerada como um romance composto por vários capitulos, com os ditos escritos de forma simples, cativante e muito envolvente.
(3/5)

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Segredos do Passado

Título original: A place to call home
Género: Romance
Autor: Deborah Smith
Ano: 1997

Sinopse: Filha de uma respeitada família de Dunderry, na Geórgia, Claire Maloney era uma menina caprichosa e mimada, mas isso não a impediu de travar amizade com Roan Sullivan, um rapaz feroz, órfão de mãe, que vivia numa caravana com o pai alcoólico. Nunca ninguém conseguiu compreender o laço que unia as duas crianças rebeldes.
Mas Roan e Claire pertenciam um ao outro até à violenta tarde em que o terror tomou conta das suas vidas e Roan desapareceu.

Durante vinte anos, Claire procurou o rosto do seu amor de infância por entre a multidão. Durante vinte anos, esperou ansiosamente uma carta e sobressaltou-se a cada toque do telefone. No entanto, quando Roan surge novamente na sua vida, a alegria de Claire não é completa, pois ao contrário do que se afirma o tempo não apaga todas as feridas.
Algumas permanecem ocultas, prestes a reabrir-se ao mais pequeno incidente. Que segredos do passado envenenam o presente e minam o futuro? (in Wook)

É quando ainda são crianças, embora de duas famílias completamente diferentes, que os destinos de Claire Maloney e Roan Sullivan cruzam-se. Habituado a ser rejeitado e maltratado pelos outros, muito por causa do comportamento violento do pai, Ron, que vive à margem de tudo e refugia-se na rebeldia, estranha o interesse e a preocupação da menina Claire e rejeita-a no primeiro contacto. Ela não desiste e defende o menino sempre que pode. À medida que os dois convivem, nasce entre eles uma grande amizade. No entanto, se a amizade com Claire trouxe à tona o melhor de Roan, é também por cauda dela que ele será obrigado a deixar Dunderry.
Vinte anos depois, Claire, que durante toda a sua vida procurou Roan em cada homem, vê o seu desejo concretizado, mas o Roan adulto aparenta ser uma pessoa completamente diferente do Roan menino. Poderá um amor de infância persistir ou o segredo que Ron carrega é pesado demais para perdoar, amar e estar presente na vida de Claire e da sua família?

A vida gira em grandes ciclos, demasiado grandes para nos darmos conta até nos levarem a uma pedra-de-toque qualquer, a casa, a memórias fracturadas de um refúgio que pensávamos não voltar a precisar.
O título em inglês A place to call home é a melhor definição desta história. Embora a existência de um segredo do passado tenha tido um papel determinante no percurso dos personagens principais desta história, é, no entanto, a necessidade de sentir que se pertence a um lugar ou medo de ser rejeitado pelas pessoas que pertencem ao lugar que levam Roan a viver anos de sofrimento e solidão.

Deborah conta, na perspectiva da Claire Maloney, a história de um amor que começa na inocência da infância e é retomado passado 20 anos, com Roan e Claire a tentarem curar as feridas do passado enquanto vivem o presente e tentam fazer planos para o futuro.

Um dos principais enfoques da obra é a família e os laços entre familiares, familiares esses que não têm de ser necessariamente os de sangue. Deborah serve-se da família numerosa da Claire e da família desestruturada do Roan, composta apenas pela figura do pai alcoólico, para mostrar como estas podem moldar personalidades, influenciar na tomada de decisões, amparar quedas ou cuidar das feridas, ou simplesmente estar presente quando mais se precisa.

Depois de ter lido A Doçura da Chuva, não há como não ficar um bocadinho desapontada com este livro. Sure, you can call it high expectations.
(3/5)

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

O Mar de Ferro

(Contém spoilers para quem não leu os livros I, II, III, IV, V, VI e VII)

Título original: A Feast for Crows
Género: Fantasia
Autor: George R. R. Martin
Ano: 2005

Sinopse: Quando Euron Greyjoy consegue ser escolhido como rei das Ilhas de Ferro não são só as ilhas que tremem. O Olho de Corvo tem o objectivo declarado de conquistar Westeros. E o seu povo parece acreditar nele. Mas será ele capaz?
Em Porto Real, Cersei enreda-se cada vez mais nas teias da corte. Desprovida do apoio da família, e rodeada por um conselho que ela própria considera incapaz, é ainda confrontada com a presença ameaçadora de uma nova corrente militante da Fé. Como se desenvencilhará de um tal enredo?
A guerra está prestes a terminar mas as terras fluviais continuam assoladas por bandos de salteadores. Apesar da morte do Jovem Lobo, Correrrio ainda resiste ao poderio dos Lannister, e Jaime parte para conquistar o baluarte dos Tully. O mesmo Jaime que jurara solenemente a Catelyn Stark não voltar a pegar em armas contra os Tully ou os Stark. Mas todos sabem que o Regicida é um homem sem honra. Ou não será bem assim? (in Wook)

Enquanto a maquiavélica Cercei engendra novos planos para manter o seu lugar de rainha intocável, os homens de ferro, comandados pelo recente rei eleito, Euron Greyjoy, começam os preparativos para a tão esperada vingança e guerra cujo objectivo é conquistar Westeros. Com Jaime longe de Porto Real, na tentativa de colocar um ponto final no impasse em Correrrio, Cercei vê-se envolta numa teia muito emaranhada mesmo para alguém tão manhosa como ela. Poderá o irmão ser a salvação da Rainha?
- (...) querido, eu conheço-te desde que eras um bébe ao colo de Joanna. Sorris como Gerion e lutas como Tyg, e há um pouco de Kevan em ti, caso contrário não usarias esse manto... mas o filho de Tywin é Tyrion, não tu. Eu disse-o uma vez na cara do teu pai, e ele não me falou durante meio ano. Os homens são uns palermas tão monumentais. Até aqueles que aparecem uma vez a cada mil anos.
Este é o menos bom, porque não posso dizer que tenha sido mau, de todos os volumes que já li desta saga. A minha classificação deve-se ao facto de ser o mais pequeno em número de páginas e o mais centrado em apenas um grupinho de personagens. (embora o texto do Martin tenha explicado as suas razões ao dividir o livro desta forma).

Como diriam os brasileiros, só deu Jaime e Cercei. Apesar de adorar o Jaime e, mesmo não gostando particularmente da Cercei, gosto de acompanhar os seus planos e não há como não mão bater palmas depois de ler este livro. No entanto, fica sempre aquela sensação que podiasse ter dado mais enfoque a outros personagens e outras linhas da história.

A Brienne continua a crescer em mim e estou desejosa de vê-la na série, apesar de achar que será complicado caracterizá-la com a imagino. A minha Brienne não é feia, é apenas uma mulher diferente.

Que foi feito do Bran? Será que alguma vez saberemos o que aconteceu a Rickon?
(3/5)

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