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quinta-feira, 28 de junho de 2012

Mar Morto

Título original: Mar Morto
Género: Romance
Autor: Jorge Amado
Ano:1936

Sinopse: Romance de grande força lírica, Mar Morto conta histórias de velhos marinheiros, de mestres saveiros, de pretos tatuados e de malandros que contam e cantam essas histórias da beira do cais da Bahia. "O povo de lemanjá tem muito que contar", dizia Jorge Amado.
Um dos mais populares romances de Jorge Amado, não só no Brasil como em muitos outros países. Mar Morto inspirou a conhecida telenovela Porto dos Milagres. (in Wook)

Tendo sido criado pelo Senhor Francisco, irmão do pai, Guma desde cedo ganhou amor ao mar e às histórias e vida dos marinheiros e cresceu para se tornar no mais valente e destemindo marinheiro que a terra já viu. Nos dias que correm, Guma passa os dias ao leme do seu saveiro, o Valente, de onde retira o sustento e sonha com a esposa perfeita que Iemanjá irá colocar no seu caminho.
Lívia, uma rapariga que nada sabe sobre a vida do mar e dos marinheiros, casa-se com Guma e passa os dias em constante sobressalto quer seja pelas tempestades no mar, os atrasos do marido ou as más notícias de outros marinheiros e esposas.
Poderá uma relação entre um homem do mar e uma mulher da terra resultar?

Ninguém no cais tem um nome só. Todos têm também um apelido ou abreviam o nome, ou o aumentam, ou lhe acrescentam qualquer coisa que recorde uma história, uma luta, um amor.
Iemanjá, que é dona do cais, dos saveiros, da vida deles todos, tem cinco nomes, cinco nomes doces que todo o mundo sabe.
(extracto retirado da pág. 75)

Uma história com várias histórias dentro, tendo o mar como pano de fundo.
Em Mar Morto, Jorge Amado retrata as vivências de um grupo de pessoas que vive do e para o mar, que sofre por causa das tempestades, que vibra e idolatra os valentes, que não teme morrer no mar e ir ter com Iamanjá e que vive em comunidade e em constante entreajuda.

A escrita é bem acessível e a maior dificuldade foi os diálogos escritos da mesma forma que os nordestinos falam e, muitas vezes, foi muito complicado perceber a ideia que os personagens querem passar, obrigando a uma leitura e releitura.

Um livro para conhecer o povo brasileiro e as suas fortes ligações às crenças e tradições, representada pela Iemanjá, a mulher que os personagens de Jorge Amado crêem que vive no mar e é a responsável por todos as vidas que são perdidas no mar.
(3/5)

terça-feira, 12 de abril de 2011

Capitães da Areia

Título original: Capitães da Areia
Género: Romance
Autor: Jorge Amado
Ano: 1937

Sinopse: Capitães da Areia é o livro de Jorge Amado mais vendido no mundo inteiro. Publicado em 1937, teve a sua primeira edição apreendida e queimada em praça pública pelas autoridades do Estado Novo. Em 1944 conheceu nova edição e, desde então, sucederam-se as edições nacionais e estrangeira, e as adaptações para a rádio, televisão e cinema. Jorge Amado descreve, em páginas carregadas de grande beleza e dramatismo, a vida dos meninos abandonados nas ruas de São Salvador da Bahia, conhecidos por Capitães da Areia. (in Wook)

Capitães da Areia são meninos e meninas que, devido às crueldades do destino, foram obrigados a serem homens e mulheres quando deviam ser crianças. Depois de todos lhes terem falhado, encontraram nas ruas da Bahia um lar, um "posto de trabalho", um recreio, uma família e um campo de batalha contra aqueles que os consideram pequenos criminosos.
Entremos na vida e história de Pedro Bala, Volta Seca, professor, Gato, Boa-Vida, Sem-Pernas, João Grande, Dora, Raimundo, Almiro, Pirulito, etc.

Esqueceram tudo e foram iguais a todas as crianças, cavalgando os ginetes do carrossel, girando com as luzes. As estrelas brilhavam, brilhava a lua cheia. Mas, mais que tudo, brilhavam na noite da Bahia as luzes azuis, verdes, amarelas, roxas, vermelhas do Grande Carrossel Japonês.
O livro começa com uma introdução do tema que irá abordar e é através de uma sequência de notícias do jornal local, incluíndo respostas e contra-respostas dos diversos "culpados" da situação, com estes a responsabilizarem a entidade mais acima na cadeia hierárquica, que Jorge Amado apresenta os Capitães da Areia.

Sempre que o autor traz mais uma criança à história, apresenta-a realçando algum pormenor da sua personalidade, tornando-a única no enredo e memorável para o leitor: o Sem-Pernas que é coxo, o professor que adora ler e desenhar ou Boa-Vida que é um malandro e gosta de festas.
A descrição dos lugares, das noites de tempestade, do areal ou da lua a entrar pelo tecto do esconderijo dos meninos são de uma autenticidade arrepiante.

Quanto à leitura, continua a ser mais complicado ler em português do Brasil e houve frases/passagens que tive de ler mais que uma vez para poder perceber a ideia.

Amizades. Esquemas. Amor. Malandrices. Romance. Problemas. Brincadeiras. Sofrimento. Família.

Quando li O País do Carnaval, fiquei com dúvidas em relação ao Jorge Amado e quiz dar uma segunda chance. Esta leitura foi, claramente, um win.

(4/5)

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