Andam o ano todo a invejar o corpo da Gisele Bundchen ou da Adriana Lima, que mal tiveram as crias já estão outra vez com a boa forma (se é que alguma vez a perderam durante a gravidez), mas foi só a H&M fazer uma campanha com uma modelo plus size (designação dada às modelos mais gordas), para que meio mundo viesse dizer que ela é que é normal que as outras é que são umas escanzeladas.
A rapariga é gira (ninguém está a dizer o contrário), pode representar a maior parte das mulheres, mas sejamos honestos: pode-se dizer que ela não é/está gorda? Podemos chamar-lhe "cheinha", "roliça", mas o que queremos dizer é que ela é uma modelo mais gorda que as outras ditas escanzeladas.
Não tenho nada contra gordas ou magras, roliças ou escanzeladas, mas chateia-me o facto de se poder chamar alguém de magra, dizer que não devem comer nada e que um qualquer ventinho é capaz de levar-lhes para longe, mas assim que se diz que uma rapariga está gorda, estamos a ser insensíveis.
Os critérios deveriam ser os mesmos: da mesma forma que se aponta o dedo a uma magra por concluír que só come ar, devia-se poder chamar atenção à outra por se pensar que come tudo menos ar.